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Pascale Musar, herdeira da sexta geração Hermès, sempre costumou guardar retalhos por pensar que um dia eles poderiam se tornar úteis. Acostumada a frequentar o ateliê da grife da família em Paris, ela sempre imaginou reutilizar as sobras da pele de crocodilo e vitelo que davam forma às bolsas mais famosas do mundo, como os modelos Kelly e Birkin. As sobras que acumulavam na mesa dos artesãos poderiam ser úteis para criar algo.
Além das bolsas, o mesmo acontece com acessórios como fivelas de metal, xícaras e bules, toalhas e vasos. Tudo é feito com matéria-prima de primeira, mas devido a um defeito – mesmo imperceptível aos olhos – alguns itens são reprovados pelo rigoroso controle de qualidade da grife.
Surgiu, então, a ideia de reaproveitar estas sobras enviado-as para artista plásticos eleitos por Pascale para virar obra de arte. As peças são únicas e vão desde uma escultura de urso de 2 metros de altura até uma luminária feita com xícaras de Limoges empilhadas.
A iniciativa da Hermès ilustra uma tendência da indústria do design, chamada upcycling. A palavra, que remete à reciclagem, significa dar um status novo e melhor a algo que simplesmente iria para o lixo. Mas, ao contrário da reciclagem, a matéria-prima não precisa “morrer para renascer” e a proposta é lançar mão de soluções engenhosas, sem que o objeto mude de estado químico no processo. É um reuso criativo, que vem se propagando nas grifes que sabem ter em mãos um material merecedor de uma segunda chance.





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